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Record: Falta de Imunossupressores para Transplantados

Hoje tiver o prazer de gravar novamente com a jornalista Akemi Duarte sobre um tema não tão agradável: a falta de imunossupressores para transplantados no estado de Minas Gerais.

Em uma infeliz coincidência já havíamos conversado sobre o mesmo tópico, previamente, em janeiro de 2016.

Isso reforça o ciclo de desorganização do sistema público na distribuição farmacêutica.

Burocracia descomunal e impessoalidade catapultam a falta de ordem para níveis astronômicos.

Essa realidade não é exclusividade do transplante. No cenário dos dialíticos não é infrequente a falta de medicamentos essenciais no manejo clínico desses pacientes. Sofrimento perene naqueles que não conseguem iniciar o tratamento ou um trabalho de meses para ajuste de marcadores de anemia e doença mineral óssea com repercussão clínica favorável evidente são perdidos por falta desses insumos ou por uma preocupação excessiva com papéis em detrimento do objetivo que deveria ser protagonista: otimizar a saúde das pessoas.

No cenário dos transplantados a situação é mais aflitiva; afinal de contas, o risco de uma rejeição aumenta substancialmente sem o uso dos imunossupressores. Se entre os renais grassa o pânico causado pelo medo de ter de voltar a dialisar, imaginem entre aqueles transplantados de outros órgãos que não dispõem de um plano B caso ocorra a perda do enxerto?

Imagine-se na situação de, por qualquer causalidade, você ser acometido por uma doença grave que inviabilize o funcionamento adequado de órgãos como rins, fígado, pulmões ou coração. Sofrimento e luta hercúlea culminam em um renascimento possibilitado pelo transplante. Além de toda essa carga emocional muito dinheiro é gasto para fazer isso possível. E aí, certo dia, você chega para pegar seus medicamentos, que o Estado prontificou-se em fornecer, e a resposta do atendente (que não tem culpa nenhuma desse caos) é um simplista não temos a medicação e não há previsão para restabelecimento na sua entrega.

Inúmeros países não disponibilizam os imunossupressores para sua população ou o fazem apenas por um período restrito de tempo. A questão é que no Brasil o acordo sempre foi por uma distribuição contínua e gratuita. Não vou entrar no mérito do certo ou errado, mas não dá para mudar as regras do jogo depois de iniciada a partida.

Sob o prisma financeiro vejo rios de dinheiro sendo mal utilizados na forma como é feita a  dispensação diária dessas drogas e agora mais recursos são potencialmente perdidos pela desorganização que reflete esse caos chamado Brasil.

 

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