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Série: Avaliando a evidência – Pure Study

Trial: Pure Study – Lancet, 29 de agosto de 2017

Para tudo !!! Acaba de ser publicada a coorte batizada como PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology) com 135.335 indíviduos de 18 países diferentes e acompanhamento médio de 7,4 anos que estudou a associação dos macronutrientes (carbos, proteínas e gorduras) com desfechos clínicos cardiovasculares e mortalidade geral.

Esses resultados já haviam sido antecipados em palestra proferida em Davos, na Suiça, pelo chefe do serviço de cardiologia da Universidade de MacMaster(berço da MBE), Dr. Salim Yusuf, no início desse ano.

Apesar disso, ver os dados publicados em uma revista peer review e com alto fator de impacto no meio médico, me deixou num misto de excitamento e satisfação. Quer saber o motivo ?

Os resultados são bastante impactantes. O consumo de carboidratos foi associado a uma maior mortalidade entre os sujeitos do estudo enquanto para as gorduras a associação foi protetora. Isso mesmo que você está lendo! Quem comeu mais gordura, morreu menos!!!! Detalhe, inclua aí a vilificada gordura SATURADA, que mostrou-se protetora nos casos de AVC, além da mortalidade geral.

Muita gente deve estar se perguntando: Neto, mas você não é o cara da MBE que vive falando de ECRs e metanálises? Além de alertar para o cuidado com os estudos observacionais, como as coortes, que não podem inferir causalidade? Eu mesmo!!!

E por que todo esse entusiasmo?

Os estudos observacionais têm menor poder do que os ECRs, mas têm seu valor. Nesse caso, o maior deles é o fato de que se não há associação (como no caso das gorduras), não pode haver causalidade; ou seja, não consigo inferir que os carboidratos matam mais, mas consigo afirmar que as gorduras são inocentes.

Fiquei com vontade de terminar com GAME OVER, mas em ciência nunca podemos achar que acabou; afinal ela é uma verdade dinâmica.

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