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Série: O Mistério da Dieta Low Carb: Ela é perigosa? – Parte 3

E a vesícula biliar ?

Esse é o reservatório do nosso detergente: a bile, que é produzida pelo fígado. Entretanto, além de guardar, ela também concentra nosso emulsificante, intensificando seu efeito na digestão das gorduras.
O estímulo para liberação da bile é hormonal. Após comermos uma refeição rica em gorduras, a colecistoquinina (CCK; do grego chole, “bile”; cysto, “saco/vesícula”; kinin, “mover”) é liberada e estimula a secreção de bile pela vesícula.

E as patologias relacionadas? Os cálculos biliares são os mais prevelantes. Além da questão hereditária, supersaturação e dismotilidade do órgão seriam os principais fatores causais.

Em uma revisão sistemática de ECRs com metanálise (Clin Gastr and Hepat., 2014 ), foram encontrados 2 artigos comparando low carb x low fat. Apesar de poucos pacientes, os resultados são impressionantes. 45%(10/22) do grupo low fat desenvolveu cálculos e 2 tiveram casos sintomáticos e NENHUM paciente no grupo low carb.

E se já tirei a vesícula? Posso fazer low carb? Apesar da resposta ser sim, visto que seu fígado ainda produz bile, há que se aumentar o conteúdo de gordura na dieta progressivamente, conforme tolerância individual, visto que você perdeu seu reservatório. A demanda aumentada tende a ser compensada por aumento na produção hepática.

E se tenho cálculos na vesícula? A maioria desses pacientes são assintomáticos e não merecem, na enorme maioria das vezes, a cirurgia de retirada do órgão(colecistectomia); entretando, em situações específicas e em casos sintomáticos, o tratamento cirúrgico é o de escolha.

Dica do médico: patologias de vesícula não são uma contra-indicação para adoção de uma estratégia low carb e podem, quiçá, ser prevenidas com maior consumo de gordura na dieta.

Semana que vem: o coração.

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