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Dia do Médico: há o que comemorar?

Nunca fui daqueles que sempre teve certeza que nasceu para ser médico, a despeito da clarividência da minha mãe.

A vida, na sua rota do destino, me colocou na trilha da medicina. Obstinação, curiosidade e empatia, marcas individuais, casaram bem com a balança tênue entre vida e morte, a busca por diagnósticos e a satisfação de ajudar ativamente o próximo.  Acredito que isso possa ter cativado meu inconsciente no período que antecedeu minha escolha; ou será que fui escolhido?

Aprendi desde cedo com meu pai que devemos gostar daquilo que fazemos e não fazer aquilo que gostamos. Conselhos maternos me cunharam para tentar ser sempre o melhor possível em tudo aquilo que faço. Isso me ajuda a encarar os desafios e calvários da profissão com mais leveza. Hoje posso afirmar que, com todas as dificuldades, amo ser médico.

Não tenho o direito individual de reclamar de um ofício que me deu tanta coisa, material e emocional, mas enxergo um sistema de saúde caótico, com remuneração inadequada e péssima estrutura para a enorme maioria dos meus pares. Em uma sociedade marcada pela evaporação dos valores morais, todas essas dificuldades não justificam um atendimento pouco resolutivo, frio e desumano. Se não está bom, depende de cada um fazer sua parte para melhorar.

Primun non nocere, o paradigma hipocrático do primeiro não lesar deve ser cultivado e fortalecido a cada dia. Nem sempre fazer tudo pelo paciente, significa fazer o melhor por ele. Essa mentalidade foi incutida na população, por nós mesmos, enquanto deixávamos de lado a conversa paciente e um exame clínico adequado em detrimento de propedêutica complementar (laboratório e imagem) e do uso abusivo de medicamentos para contrabalançar um sistema de saúde frágil, falido e refém dos planos de saúde.

Tempo de estudo e experiência clínica fortalecem, a cada dia, minha certeza da importância da humildade e da escuta atenta. Isso apura meu ceticismo e a vontade de chegar mais perto da verdade, com a convicção de que estou sendo melhor com aqueles que são a grande razão desse ofício: os pacientes.

Minha profunda admiração aos colegas que percebem que, mais do que uma profissão, ser médico é um presente. Em muitos momentos lembra um cavalo de Tróia, mas não passa de percepção superficial do momento, afinal nem tudo são flores em qualquer caminhada.

Agradeço, de coração, o carinho recebido de todos; em especial aos meus pacientes e seus familiares! Obrigado por acreditarem no meu trabalho e me deixarem fazer parte da vida de vocês.

Se há o que comemorar? Você tem alguma dúvida?

COMENTÁRIOS
  • carlos zeitoune
    19 de outubro de 2017

    parabéns, DOUTOR! a COMPREENSÃO DO QUE SEJA A ARTE DE CUIDAR E, MELHOR, PREVENIR, QUE VEM NO CENTRO E NO BOJO DA CIÊNCIA MÉDICA É JÁ SER PLENAMENTE MÉDICO.

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  • Liliane lana
    20 de outubro de 2017

    CAro Dr. josÉ neto, com a gratidão por tê-lo cuidaNdo de meu pai, raimundo nonato fernandes, te abraÇo parabenizando pelo dia do médico. sobretudo, agradeÇo à vida por ter conspirado à favor de seu exercício na medicina. Sorte nossa!

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