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Alegrias que não tem preço: aprendendo com meus pacientes

Há alguns anos atrás recebi no meu consultório uma jovem que tinha o medo refletido em seu rosto devido a uma doença renal familiar que já havia determinado a necessidade de terapia renal substitutiva (diálise ou transplante renal) para sua mãe e sua avó.

Não bastasse isso, sua mãe havia falecido precocemente em função de complicações relacionadas a essa mesma patologia.

Definimos prioridades, esclarecemos dúvidas e criamos uma ótima relação médico-paciente. A glomerulopatia, lesão primária do filtro renal que ela apresentava, foi impiedosa e a despeito de todos os esforços, acabou levando à perda completa da sua função renal.

Havíamos definido pelo transplante com doador vivo em caráter preemptivo, aquele que é feito antes da necessidade da diálise, como tratamento daquela mazela, mas a agressividade da doença fez com que tivéssemos que implantar um cateter temporário e iniciar hemodiálise até que tudo estivesse “perfeito” para realização do transplante.

Doador e receptora aptos. Data marcada. O transplante renal traria de volta um pedaço da vida que a hemodiálise havia levado.

Sucesso! Tudo havia corrido bem na cirurgia. Era uma questão de poucos dias para uma recuperação parcial que propiciasse a alta hospitalar. Só que a vida, e na medicina não é diferente, não é uma highway sem quebra-molas. Como bem disse o pai da medicina moderna, William Osler, a medicina é a ciência da incerteza e a arte de probabilidade. Contra todas as apostas, aquela jovem havia ganhado na loteria, só que às avessas.

Evolução desfavorável nas primeiras 72 horas e acabou sendo necessária a transplantectomia (retirada do enxerto do renal). Eu chorei, como eu chorei… parecia que era em mim. E nessa hora que eu deveria ser o mais forte, a paciente e toda a família, a despeito de todo sofrimento, foram meu sustentáculo. Confiaram em meu trabalho e me deram a oportunidade de cruzar o caminho de pessoas tão espiritualizadas e especiais, que considero um presente divinal poder conhecê-las.

Não contei, mas aquela era Marluce, da dupla Marluce e Luciano, sendo que esse, irmão da jovem, havia sido o doador.

Dias, semanas, meses, anos se passaram e Marluce conseguiu vencer. Bem adaptada na diálise peritoneal, segue com uma vida plena, família linda com filhos, sucesso nos negócios.

A foto retrata uma visita que tivemos da dupla na nossa hemodiálise com música ao vivo e muito carinho distribuído aos nossos pacientes; mas isso não é de agora. Quando tudo era caos, a dupla sempre esteve ali distribuindo alegria e esperança.

Há alguns meses atrás, junto com Luciano, ela gravou um sonhado DVD ao vivo, que hoje recebi em mãos com todo o carinho expresso em uma mensagem individualizada. É uma alegria que não cabe dentro de mim!!!

Queridos Marluce e Luciano, obrigado por me deixarem fazer parte da vida de vocês. Aprendi e sigo aprendendo como ser uma pessoa melhor com esse convívio. Sucesso? Nem preciso desejar, porque vocês são a prova viva do real sentido dessa palavra.

COMENTÁRIOS
  • Eny Maria delbem
    11 de Janeiro de 2018

    Me emocionei, imagino o sofrimento e a alegria que o senhor e eles SENTIram.
    Eu sei o quanto o senhor se empenha em nos ajudar.
    Sou grata e feliz por ter o senhor na minha vida também.
    Um grande abraço

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  • Bernardete
    11 de Janeiro de 2018

    que emoção!
    O sr trabalha com brilho nos olhos. felizes, somos nós pacientes, que temos a oportunidade de conviver com um médico que se doa e compartilha seus conhecimentos a todo momento…
    Forte abraço

    responder
  • João Bráulio Cruz de Vilhena
    11 de Janeiro de 2018

    Emocionante! Parabéns!!

    responder
  • waleska amaral
    13 de Janeiro de 2018

    emocionante !! parabéns ! precisamos de mais pessoas como você no mundo!

    responder
  • Udysson alves
    15 de Janeiro de 2018

    Grande dr. jose neto. se cada médico fosse assim com seu paciente, nosso sistema de saúde estaria mt melhor hoje. mas sabemos que não são só os médicos. precisamos de incentivo do governo, investimentos em diversas áreas que agreguem o todo. parabéns pela dedicação, estudo e trabalho dr.

    só uma pergunta: no momento das refeições, já vi mt gente dizendo q é melhor não beber LÍQUIDOS durante e antes das refeições, pois faria o suco gástrico trabalhar mais que o normal. E JÁ vi outras pessoas dizerem que não teriam problema algum beber líquidos durante as refeições. sei tb que depende do líquido que estamos ingerindo durante as refeições.

    o senhor como nefrólogo, o que acha disso?

    um grande abraço.

    responder
  • 16 de Janeiro de 2018

    HOJE (16/01/2018) – DIA INTERNACIONAL LCHF

    (Partindo da Suécia)

    http://annikadahlqvist.com/

    responder
  • 16 de Janeiro de 2018

    Dr.: comer ou não amendoins devido às aflotoxinas?

    duas xícaras de chá diluídas na semana, torradinhos no micro, são risco para os rins?

    responder
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